segunda-feira, 8 de novembro de 2010

O quê??

Não sei porque faço tudo isto, amanhã não me lembro, não sei porque leio, ouço, passeio, se amanhã, já não sei.
Tenho uma memória tão pequenina que nem me lembro se me esqueço porque me custa lembrar ou se não me lembro por enfado ou se pura e simplesmente já não quero saber de nada.
As vezes acho que não me lembro porque, tudo, não é nada como imaginei. Meti-me em sarilhos tão grandes que ia ter vergonha de dizer à minha mini-me: olha, isto és tu com trinta anos…
Como bom pai, que sou, para mim, desejei-me o melhor dentro de uma realidade hipotética e eis-me agora, hipóteses de parte, perdida e esquecida.
Nunca pensei vir a ser uma réplica da minha mãe, ligeiramente mais sofisticada, é verdade, mas muito mais egoísta, apesar de isso me ter parecido sempre impossível. A verdade é que consigo ser muito mais egoísta do que ela. Sou ligeiramente mais sensata, porque pelo menos não pari com medo da solidão, mas bebo em nome do isolamento e fujo em nome da cobardia de não conseguir entregar-me de forma saudável. Isso, é o que se faz quando se é pequenino, a entrega, bem, não é a entrega racional, é acreditar que há um ente superior a nós que nos protege e em quem depositamos a crença de que vão cuidar de nós, e se crescemos sem isso ficámos adultos marados. Pelo menos é a conclusão a que cheguei! Portanto, mais uma desculpa fundamentada para o caos que é a minha cabeça e as relações afectivas que ela me permite ter.
Sou uma adulta esquecida e perturbada porque… não me lembro.

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