quarta-feira, 3 de novembro de 2010

"Não entres tão depressa nessa noite escura"


É o primeiro livro do António Lobo Antunes que leio e não me parece que vá entrar tão depressa noutra “ noite escura”. Foram duas semanas de depressão e de confusão mental e tenho que admitir que consegui ficar ainda mais neurótica. Passo a explicar a razão da osmose: a Maria Clara, a personagem central, é de um narcisismo extremo e o que vamos lendo em perto de seiscentas páginas é uma espécie de diário entre a realidade e a ficção, entre o passado e o presente, entre a neurose e a psicose, entre o suicídio e o “não estou morta mas sou infeliz que me farto”. Bem, uma mulher não é de ferro e acabei por entrar também no registo “ai, ai, ai, a minha vida que está tão má e coitada de mim quando era pequenina e agora já sou grande mas continuo completamente passada dos cornos”.
Portanto, posso apenas sugerir que António Lobo Antunes seja consumido de modo muito moderado e com supervisão do médico. Percebo a intenção, consigo até apreciar os diálogos internos mas, por vezes, tenho a sensação que as lógicas do discurso só fazem sentido para o escritor, o que torna a leitura cansativa porque andamos demasiado tempo à procura de uma coerência, que dentro do âmbito do leitor - não - vidente, não é atingível.

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