domingo, 23 de janeiro de 2011

a vida é só demasiado complicada... acontece tudo ao mesmo tempo. não acontece nada ao mesmo tempo.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

De cima para baixo.

Dia 5

  1. É muito difícil estar sempre disponível. 
  2. É complicado ter em atenção toda a gente e fazer com que sintam que são todos igualmente importantes.
  3. Ainda não percebo muito bem qual a minha função no meio disto tudo e só com dificuldade me vou apercebendo das funções, importância e hierarquia de cada pessoa. 
  4. As montagens são a puta da loucura, é  de ficar totalmente desfeito. Agora percebo o que me diziam os técnicos...
  5. Vou dormir que amanhã é outro dia interminável
  6. Saudações exaustoteatrais

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

4º dia de viagem- primeiro de registo

Começo a escrever este diário com quatro dias de atraso. Mais uma vez atrasei-me, fiquei à espera de mim e não cheguei.
Deixei que o assustada que estou corrompesse a minha vontade de agir. Fiquei no limbo, algures entre o medo de pensar e a ameaça que é mexer e ser impotente…
Mas isso agora não interessa nada, estou num hotel de quatro estrelas, estou numa espécie de moratória, que é essencial a nível profissional, e que veio mesmo a calhar noutros níveis mais desnivelados.
Estou a itinerar, que é como quem diz, vou andar por ai, em quartos de hotel, em sítios, ou nos meus não sítios preferidos. Adoro não lugares, adoro o meu quarto de hotel e a pouca bagagem, adoro ter 7 pares de cuecas para 15 dias e ter alguém que me vem limpar o quarto quando eu não estou. Adoro ter bagagem que consigo carregar.
Entro no TNSJ pela porta dos artistas, sempre quis entrar num teatro pela porta dos artistas. Acho que há uma certa ironia entre o que desejamos e o que acabamos por alcançar, tal como a história do génio, da lâmpada, do Aladino. Entro pela porta sonhada mas com a função, como direi, trocada.
No entanto, estou aqui. De certa forma cumpro um sonho, ainda que vá anulando outros, mas pelo menos, vou vivendo fora do quadrado. E isso, é no fundo, a única coisa que eu sempre quis,

 E aqui começa o diário, de uma criatura que vai, não com o vento, mas com os outros que vão vivendo uma vida que eu, por ironia do destino acabei por não abraçar.

Abismo. Sentido obrigatório.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Ela pergunta


“És feliz?”
Olhei para ela na tentativa de saber se estava a fazer o jogo das mulheres sensíveis ou outro jogo das mulheres inteligentes, que reflectem, pensam (demais), intelectuais da vida e dos sentidos. Ou o outro ainda, das mulheres que tem as perguntas coladas sem qualidade, parte de uma lista de caprichos.
O que hei-de responder a estes olhos negros? Talvez dizer-lhe que sim, tenho o que sempre quis ter: carro, casa, trabalho, filhos e mulher. Tal e qual por esta ordem. O que mais interessa responder? “Sou, sou feliz.”
“E o que quiseste ser? És feliz?” Insiste.
“Hoje estou cansado e tenho de ir para casa. Encontramo-nos na Segunda-feira se achares bem.”
“Eu sou feliz”, diz ela da mesma forma como dizemos tenho calor, tenho fome, vou tomar banho, que café delicioso. Como se o conceito de felicidade lhe pertencesse, registado na certidão de nascimento. Carimbo: criança que vai ser feliz. Oficial!
Não percebi nada! Oxalá mude de conversa na próxima vez...