“És feliz?”
Olhei para ela na tentativa de saber se estava a fazer o jogo das mulheres sensíveis ou outro jogo das mulheres inteligentes, que reflectem, pensam (demais), intelectuais da vida e dos sentidos. Ou o outro ainda, das mulheres que tem as perguntas coladas sem qualidade, parte de uma lista de caprichos.
O que hei-de responder a estes olhos negros? Talvez dizer-lhe que sim, tenho o que sempre quis ter: carro, casa, trabalho, filhos e mulher. Tal e qual por esta ordem. O que mais interessa responder? “Sou, sou feliz.”
“E o que quiseste ser? És feliz?” Insiste.
“Hoje estou cansado e tenho de ir para casa. Encontramo-nos na Segunda-feira se achares bem.”
“Eu sou feliz”, diz ela da mesma forma como dizemos tenho calor, tenho fome, vou tomar banho, que café delicioso. Como se o conceito de felicidade lhe pertencesse, registado na certidão de nascimento. Carimbo: criança que vai ser feliz. Oficial!
Não percebi nada! Oxalá mude de conversa na próxima vez...
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