Começo a escrever este diário com quatro dias de atraso. Mais uma vez atrasei-me, fiquei à espera de mim e não cheguei.
Deixei que o assustada que estou corrompesse a minha vontade de agir. Fiquei no limbo, algures entre o medo de pensar e a ameaça que é mexer e ser impotente…
Mas isso agora não interessa nada, estou num hotel de quatro estrelas, estou numa espécie de moratória, que é essencial a nível profissional, e que veio mesmo a calhar noutros níveis mais desnivelados.
Estou a itinerar, que é como quem diz, vou andar por ai, em quartos de hotel, em sítios, ou nos meus não sítios preferidos. Adoro não lugares, adoro o meu quarto de hotel e a pouca bagagem, adoro ter 7 pares de cuecas para 15 dias e ter alguém que me vem limpar o quarto quando eu não estou. Adoro ter bagagem que consigo carregar.
Entro no TNSJ pela porta dos artistas, sempre quis entrar num teatro pela porta dos artistas. Acho que há uma certa ironia entre o que desejamos e o que acabamos por alcançar, tal como a história do génio, da lâmpada, do Aladino. Entro pela porta sonhada mas com a função, como direi, trocada.
No entanto, estou aqui. De certa forma cumpro um sonho, ainda que vá anulando outros, mas pelo menos, vou vivendo fora do quadrado. E isso, é no fundo, a única coisa que eu sempre quis,
E aqui começa o diário, de uma criatura que vai, não com o vento, mas com os outros que vão vivendo uma vida que eu, por ironia do destino acabei por não abraçar.
também experimentei a sensação de liberdade que é viver fora do quadrado e a honra de entrar pela porta dos artistas. enjoy.
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